O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é um tema muito abordado atualmente, especialmente quando se fala em crianças e adolescentes, que ocorre em várias regiões diferentes do mundo. Para fazer com que estas crianças e adolescentes sejam melhor inseridas no contexto escolar é importante que a escola saiba como lidar com estes alunos.
Não é necessário que o professor faça o diagnóstico de TDAH, mas que ele consiga identificar as principais características para que consiga lidar melhor com isso e, consequentemente, promover uma sala de aula mais adequada.
TDAH é um transtorno comportamental e neurobiológico, de causas genéticas e ambientais, que aparece na infância e pode acompanhar a pessoa por toda a vida, gerando muito sofrimento para o aluno, para a família e para o professor.
Características (conjuntas):
Desatenção
Hiperatividade
Impulsividade
Prejuízos:
Desempenho acadêmico
Relacionamento interpessoal
Desatenção
-tem dificuldade de prestar atenção a detalhes;
-parece que não escuta quando falam com ele;
-é facilmente distraído com estímulos alheios;
-tem dificuldade de organização;
-comete erros por descuido;
-não segue instruções;
-não termina suas tarefas;
-perde coisas importantes.
Hiperatividade
-não consegue envolver-se em atividades silenciosas;
-está sempre a "mil por hora" / "a todo vapor";
-agita mãos e pés ou se remexe na cadeira;
-tem dificuldade para permanecer sentado;
-corre exageradamente;
-fala demais.
Impulsividade
-dá respostas precipitadas a perguntas não terminadas;
-tem dificuldade de aguarda sua vez;
-interompe ou se intromete em conversas alheias.
Prevalência
-Acomete 5 a 13% das crinaças em idade escolar;
-Pode persistir na vida adulta em metade dos casos;
-Mais comum em meninos;
-Meninas: 10-25% dos casos de TDAH.
Tipos de TDAH
-predominantemente desatento: mais comum no sexo feminino; alta taxa de prejuízo acadêmico; são crianças desorganizadas, esquecidas, frequetemente distraídas, não copiam as tarefas (vivem no "mundo da lua"); nível alto de isolamento social e retraimento (inabilidades sociais: ansiedade e relutância para participar de atividades em grupo);
-predominantemente hiperativo-impulsivo: são mais agressivos; altas taxas de rejeição pelos colegas; sofrem de "impopularidade"; são agitados, inquietos e impulsivos;
-combinado: maior prejuízo no funcionamento global; são rejeitadas pelos colegas (agem sem pensar, são inadequadas socialmente e falham em fazer planos e prever situações).
Muitas vezes, quem percebe é a escola e não a família.
Na escola: sintomas + evidentes /por comparação com outras crianças
-alteração nas habilidades linguísticas;
-falta de noção de espaço (desenhos);
-dificuldade de reconhecer símbolos gráficos (3-E; p-q-d-b);
-dificuldade para ficarem sentadas e prestarem atenção;
-pouca cordenação motora -> desajeitadas;
-tendência de estar sempre em movimento;
-dificuldade em terminar tarefas.
Diagnóstico:
-clínico: avaliação com pais, criança e escola;
-prejuízo em dois ou mais contextos;
-baseado nos critérios operacionais do DSM-IV ou CID-10 (diretrizes para diagnósticos).
Etiologia (causas) - multifatorial:
-fatores genéticos;
-fatores biológicos/ físicos;
-fatores psicossociais.
Consequências:
-baixo rendimento escolar;
-a criança não consegue acompanhar a turma;
-perda de autoestima;
-tristeza e falta de motivação;
-dificuldades de relacionamento;
-predisposição a episódios depressivos graves;
-abuso de álcool e drogas;
-adultos inseguros, com poucas habilidades sociais.
Quando os sintomas acontecem em um contexto específico (TDAH situacional), a criança não é diagnosticada com TDAH. Na verdade, é preciso investigar o que há de errado no contexto.
-medicações;
-psicoterapia;
-envolvimento da família e da escola.
As características do TDAH não se restringem a apenas um ambiente. Então, o tratamento deve levar em consideração os ambientes que a criança frequenta.
Possibilidades de intervenção na escola
Educação
-informar pais, professores e criança.
Objetivos
-ajudar a criança, a família e os professores a compreender os sintomas e os prejuízos do TDAH;
-desfazer rótulos prévios ("preguiçoso", ...) - a criança vive os rótulos;
-melhorar a autoestima das crianças;
-pais precisam aprender melhores estratégias para lidar com o TDAH.
Sala de aula: planejamento e cronogramas
-crianças com TDAH têm dificuldades para planejar atividades futuras;
-calendário diário/ semanal/ mensal de atividades (lição de casa, aulas extras, passeios, educação física,...).
Reconhecimento/ elogios (diferente de chantagem)
- intervenção comportamental baseada em contigências: premiar respostas e atitudes adequadas reforçadores para o comportamento esperado;
-ajuda também na impulsividade;
-discutir com (envolver) os pais.





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