vídeo-aula 19: Violência nas escolas - Li Li Min / Lila Freire R. de Souza

Fatores individuais e ambientais estão associados a comportamentos inadequados e transtornos de conduta. As primeiras manifestações de violência também ocorrem na escola, como enfatiza a professora Lília de Souza Li. O melhor entendimento destes fatores ajuda a identificar as crianças de risco e, consequentemente, propor intervenções mais adequadas e eficazes.

As cenas de violência não só são comuns nas escolas, mas estão cada vez mais complexas, influenciando inclusive no psiquê na escola.

Adolescência
- Momento crítico da vida do ser humano no qual ocorrem intensas mudanças biológicas, cognitivas, emocionais e sociais, e se decide padrões de comportamento.
- Período de grande vulnerabilidade e risco.
- Possíveis trajetórias estão intimamente relacionadas com as vivências e aprendizados ocorridos na infância.

Problemas psicológicos e comportamentais na adolescência
- Abuso de substâncias;
- Problemas de internalização: manifestado por meio de perturbações emocionais e cognitivas como depressão e ansiedade;
- Problemas de externalização: manifestado por meio de problemas comportamentais ou de atuação sendo o problema mais comum o comportamento delinquente.

Distúrbios de conduta
- É um transtorno caracterizado por um padrão de comportamento anti-social repetitivo e persistente em crianças e adolescentes. Às vezes classificado como psico-social, às vezes como psicopatológico.
- Inclui desobediência, birras, brigas, destrutibilidade, mentira e roubo. É o problema mental mais comum na infância e adolescência: 7% dos meninos e 3% das meninas vão manifestar algum distúrbio.

Agressão física na infância
- Problema de saúde pública;
- Crianças agressivas são de grande risco de serem adolescentes e adultos violentos;
- Agressão física é um precursor de problemas mentais na vítima e também no agressor (abuso de álcool e drogas, acidentes, crimes violentos, tentativa de suicídio, relações abusivas e paternidade negligente e abusiva).

Fatores de risco para distúrbios de conduta e delinquência
- Fatores de risco individuais (características biológicas, comportamentais e cognitivas do indivíduo);
- Fatores de risco contextuais (familiares e sociais);
- Vários fators de risco de forma cumulativa resultam em sofrimento físico e emocional, levando a delinquência juvenil.

Fatores familiares e sociais que podem levar a delinquência
- Disciplina e limites no núcleo familiar;
- Familiares disfuncioanis;
- Doenças mentais nos pais;
- Estes fatores são afetados por fatores sociais:
pobreza
fracasso escolar
desemprego
pobres redes de apoio e de relacionamento
perdas de pessoas significativas da família por meios violentos e muitas vezes presenciados por eles.

Nível sócio-econômico não é determinante
- Deve-se diferenciar entre pais negligentes (violando deliberadamente o direito dos filhos aos cuidados) e não os que não podem atender suas necessidades por falta de condições sócio-econômicas.
- Pais de Nível sócio-econômico baixo e baixa escolaridade tendem a ser mais autoritários.

Quais fatores promovem a violência?
- Causas a londo prazo: práticas parentais inadequadas e exposição repetida a violência.
- Causas a curto prazo: consumo de álcool e drogas e a inserção em gangues.

Fatores de risco para comportamentos delinquentes
- morar em áreas pobres e densamente povoadas.
- vida familiar marcada pela pobreza e grande número de descendentes.
- negligência parental.
- padrões de cuidados e supervisão inadequados.
- sinais prematuros de comportamento anti-social na escola e em casa.
- agressividade.
- temperamento impulsivo.
- baixa inteligência.
- evasão escolar.

Há diferenças de vulnerabilidade entre os sexos?
- Meninos são mais propensos a se envolver com violência e delinquência.
- Meninas adolescentes são tão propensas quanto os meninos a bater em membros da família.

Violência predatória
- Condutas violentas intencionais para obter ganho ou resultante de conduta criminal ou anti-social.
- Associada a maior prevalência de uso de drogas no ambiente escolar, ser do sexo masculino, ser rebelde (?-não ficou claro o que significa ser "rebelde" nesse caso, já que rebeldia é uma característica típica da adolescência).

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Aqui, citamos alguns texto que tratam a questão da rebeldia na adolescência de forma mais ampla e menos baseada no senso comum (para ler os texto inteiros, basta clicar sobre cada fragmento):
"Porém a rebelião não é o crime; o crime ocorre quando a rebelião não tem um escape saudável. A rebelião, na verdade, pode ser a coisa mais saudável para o ser humano – uma energia pura que inspira a pessoa a não desistir facilmente, recusar-se a tolerar injustiça, não seguir uma idéia apenas porque alguém está pensando naquilo. O pior que podemos fazer com a energia psicológica ou espiritual de uma pessoa é refreá-la; na verdade, devemos fazer todo o possível para aproveitar esta energia, dirigi-la e canalizá-la."


"[...] a rebeldia adolescente é uma forma de elaborar os conflitos psíquicos dessa etapa do desenvolvimento; um auxílio na realização dos lutos da adolescência. "



"Segundo Wagner, Ribeiro e Arteche (1999) é no seio familiar que o indivíduo vai encontrar o equilíbrio entre o desejado e o possível. Quando o adolescente encontra na família um ambiente estável e acolhedor, este passa a se dedicar mais a ela e conseqüentemente, acaba por encontrar sua estabilidade emocional na família. Entretanto, eles afirmam que um ambiente familiar saudável não é aquele em que não haja brigas, mas sim aquele onde o núcleo familiar consegue encontrar a solução de seus problemas e amenizar os efeitos angustiantes destes. Para eles, um núcleo familiar saudável favorece a expressão tanto de sentimentos hostis como de afeto."


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Apenas uma pequena parcela desses meninos e meninas vão reincidir na violência. Quando reincidem, geralmente, persistem na marginalidade.

Fatores associados para violência na escola
- performance escolar ruim.
- atitudes anteriores erradas.
- sexo masculino.
- baixa autoestima.
- muitas mudanças de escola.
-população escolar com alto uso de drogas.


Reflexão final: como sua escola lida com a violência escolar?
Você acha que tem uma maneira alternativa, melhor para lidar com essa questão?

Na realidade, a vídeo-aula não apresentou maneiras para lidar com a violência escolar. A vídeo-aula apenas apresentou dados, afirmações e conceitos descontextualizados e sem nenhuma reflexão que nos ajudasse a realmente refletir sobre o assunto.


A vídeo-aula também não apresenta fontes de estudo e parece, muitas vezes, reproduzir o que é pregado pelo senso comum.

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Textos que tratam do assunto, apresentam dados fundamentados e propostas:


LIDANDO COM A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS:  O PAPEL DA UNESCO/BRASIL

PAZ, COMO SE FAZ? Semeando cultura de paz nas escolas



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