Muitas crianças com deficiência mental e autismo são capazes de crescer, aprender e se desenvolver, desde que a família e a escola conheçam um pouco mais sobre estas condições. Crianças com atraso mental ou com autismo podem obter resultados escolares muito interessantes. Para isso, é importante avaliar a necessidade específica da criança e seu grau de comprometimento para direcionar estratégias mais efetivas.
Retardo mental:
- definição
- RM leve, moderado e grave
- o que fazer?
Autismo:
- definição
- características
- o que fazer?
A importância do diagnóstico: o diagnóstico é importante para a família e para a escola.
RM: definição
-pessoas com habilidades intelectuais abaixo da média;
-início do déicit antes dos 18 anos de idade;
-consequências: problemas no funcionamento diário, na comunicação, na interação social, nas
habilidades motoras (prejudicando o aprendizado), nos cuidados pessoais e na vida acadêmica;
-prevalência: 1-2% da população.
Tipos de RM:
-Leve- atrasos na linguagem, mas consegue se comunicar, tem independência nos cuidados pessoais no geral, consegue estudar até um certo ponto, consegue ter vida independente, casar;
-Moderado- tem dificuldade na compreensão e no uso da linguagem, complica a vida acadêmica, cuidados pessoais e habilidades motoras são comprometidos e a vida acadêmica é limitada (adapta-se melhor em turmas especiais).;
-Grave- graus maiores de prejuízo intelectual, funcional e motor (probelmas auditivos, visuais..). Precisam de apoio e atenção toda a vida. Estudam em instituições que visam a integração do contexto social e não a alfabetização e a vida acadêmica.
O que fazer:
- identificação precoce;
- tratamento: controle das alterações comportamentais (agitação psicomotora, agressividade, hostilidade, hiperatividade etc.);
- treino de habilidade sociais;
- estimulos favoráveis;
- formação de pais, familiares, professores (e cuidadores).
Na escola: um trabalho educacional especial para que se promova a melhor estimulação possível, considerando as limitações de cada criança, visando o desenvolvimento integral da criança e a melhora das relações sociais e a qualidade de vida de todos envolvidos.
Autismo: transtorno invasivo do desenvolvimento, que tem prejuízos na interação social, atraso na aquisição da linguagem e comportamentos estereotipados e repetitivos. A incidência é de, geralmente, 2 a 5 casos pra cada 10 mil crianças e é mais comum em meninos que em meninas.
Características:
-identificado com 2 anos e meio de idade o filho não fala, resiste aos cuidados paternos e não interage;
-bebês: déficit no comportamento social, evitam contato visual, sem interesse na voz humana,
indiferentes ao afeto;
-crianças: não seguem os pais pela cas, não têm interesse em brincar com outras crianças;
-interesse por brincadeiras esteriotipadas;
-fascinação por luzes, sons e movimentos;
-incomoda-se com mudanças na sua rotina diária;
-inteligência e linguagem comprometidas.
Na escola:
- não tem interesse em brincar com as outras crianças;
- não tem interesse por jogos ou brincadeiras;
- interesse por brinquedos específicos ou parte deles;
- atos repetitivos e esteriotipados;
- ataques de raiva a mudança na rotina;
- resistência em aprender novas atividades.
O que fazer:
- tratamento individualizado;
- intervenções conjuntas: educação especial, aconselhamento de pais, terapia comportamental, treino de habilidades sociais, medicações para melhorar a qualidade de vida e a adaptação da criança.
- 45% das crianças com autismo: comunicação verbal e educação direcionada.
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Ana Maria S. Ros de Mello, no capítulo "Autismo e integração" do livro A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (editora memnon), fala da importância (para a sociedade) da passagem da integração social pela escola. Mas ela ressalta:
A meu ver, colocar na mesma sala de aula grupos heterogêneos como crianças autistas com retardo mental e crianças normais não serve para a integração, por não haver como conciliar em um mesmo espaço demandas tão diferentes e específicas.
Por outro lado, se a escola pública reservar salas de aula para deficientes e estabelecer, quando possível, a convivência durante momentos de lazer, estará não só integrando, mas também contribuindo para resolver questões tão importantes e atualmente descuidadas como o direito que uma família tem de ter seu filho atendido próximo ao local onde reside. (p. 14)
Ou seja, para a autora é mais importante que a criança seja atendida próximo de casa, mesmo que não seja possível frequentar as aulas regularmente, mesmo que frequente alguns momentos com as outras crianças. Mas que fique claro: não é o autismo que a impede de estar em uma sala regular, mas sim a falta de estrutura da sala regular.
A autora cita uma experiência vitoriosa de uma criança autista que começou a frequentar uma sala de aula regular homeopaticamente, ou seja, inicialmente uma vez por semana, depois duas vezes... até que passou a frequentar uma sala especial no período da manhã e a sala regular no período da tarde.
Enfim, mais do que qualquer outra situação da educação, essa precisa ser muito bem planejada e é necessário sempre visar o bem estar da criança.
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Bem vindo à Holanda
por Emily Perl Knisley
Freqüentemente me pedem para descrever a experiência de dar à luz uma criança com deficiência.
Seria como...
Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias PARA A ITÁLIA.
Você compra montes de guias e faz planos maravilhosos! O Coliseu. O Davi de Michelangelo. As gôndolas em Veneza. Você pode até aprender algumas frases em italiano. É tudo muito excitante.
Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia! Você arruma as malas e embarca. Algumas horas depois, você aterrissa. O comissário de bordo chega e diz: Bem-vindo à Holanda!
Holanda?? Diz você. O que quer dizer com Holanda?? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida eu quis conhecer a Itália!
Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar.
O mais importante é que eles não levaram você para um lugar horrível e desagradável, com sujeira, fome e doença. É apenas um lugar diferente.
Você precisa sair e comprar outros guias. Deve aprender uma nova língua. E irá encontrar pessoas que jamais imaginara.
É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor. Começa a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandts e Van Goghs.
Mas, todos os que você conhece estão ocupados indo e vindo da Itália, comentando a temporada maravilhosa que passaram lá. E por toda a sua vida você dirá: Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planejado.
A dor que isso causa nunca, nunca irá embora. Porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.
Porém, se você passar toda a vida remoendo o fato de não ter chegado à Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais existentes na Holanda.
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